terça-feira, 24 de maio de 2016

Um dos principais legados psicológicos do golpe: nos tirar do sonho que o Brasil tinha se tornado um país autônomo.


Um dos principais legados psicológicos do golpe foi nos tirar do sonho de que o Brasil tinha se tornado de fato um país autônomo. 
Com uma agenda geopolítica, social e econômica madura, e nos devolver à condição de republiqueta sul-americana (ainda que uma republiqueta de dimensões continentais, com um dos maiores PIBs do planeta, oque é ainda mais trágico) a serviço dos interesses estadunidenses, dos especuladores financeiros e da elite nativa, com raras exceções dividida entre vira-latas subservientes sem ambição e ladrões descarados de matizes variadas.

Irônico que os que mais se excitam com o retorno a essa condição tenham ostentado em seus atos, cujo ridículo hoje salta aos olhos até dos mais ignorantes, justamente a camisa da seleção brasileira de futebol, suposto símbolo de soberania nacional, cuja legitimidade unificadora foi irreparavelmente destruída nos últimos anos. Não por coincidência, a Globo é a instituição que melhor representa essa aliança perversa entre manipulação do sentimento nacional para fins colonizatórios e construção de mentiras para manter seus acintosos privilégios de monopólio da comunicação financiados pelo estado brasileiro, juntamente com os políticos que garantem sua perpetuação. 

Felizmente, a tecnologia da informação e o crescimento exponencial do descontentamento e da mobilização contra essa organização começam a enfraquecer de forma sensível seu poder.

 A Globo é uma das maiores alegorias do nosso subdesenvolvimento, para usar um termo do Ismail Xavier, e precisamos seguir no caminho de superá-la como detentora do discurso sobre o ser brasileiro.

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