Por Professora Carol.
Depois dos áudios vazados a direita avança em mais uma engrenagem no golpe. Veja abaixo do texto, trecho da conversa entre Sérgio Machado e Romero Jucá.
Apesar de fazer em poucas semanas os direitos trabalhistas serem levados para o buraco, a direita pró-imperialista ainda não esta satisfeita com os resultados. O governo Michel Temer, não reconhecido pela população, já sofre um enorme desgaste, e parece ainda não ter realizado as propostas de austeridade encaminhadas pela economia norte-americana.
O governo Temer nesse momento representa o elo de ligação que os países dominantes precisavam entre os setores da direita, contraditórios entre si. De um lado, temos Eduardo Cunha, que apresenta,o mais próximo possível, uma ligação com o governo de Michel Temer que quer apenas se manter no governo, de outro lado, os setores mais à direita como o PSDB representando os interesses diretos das multinacionais.
Os áudios gravados que foram publicados hoje (23/05/2016) incriminando Romero Jucá, novo ministro do planejamento, "vazaram" após o golpe parlamentar ter sido vitorioso. Por quê? Primeiramente, os áudios dificultariam a retirada da presidenta do poder e incriminariam a ala mais próxima do governo que iria assumir. E, principalmente, o vazamento dos áudios vieram para pressionar o governo Temer, ultramente desgastado, a levar os planos da direita às últimas consequências. Pois o que quer a mídia corporativa e toda cúpula que já está sob o controle do desse setor (Ministério Público, Polícia federal...)?
A realidade é simples, a extrema-direita demonstra uma tremenda falta de confiança nos planos desse governo, por se tratar de um governo fraco, cheio de contradições, sem contar com o forte desgaste perante a população.
A política do governo Temer representa para o Brasil uma segunda “onda neoliberal” que dá continuidade aos brutais ataques impostos pelos governos FHC.
O governo Temer é um governo extremamente fraco para impor ataques previstos para o próximo momento da crise mundial. A estratégia que os países desenvolvidos viram para acalmar sua crise, foi substituir o governo do PT. Por esse motivo, os setores mais direitistas se valem da Lava-Jato e de outros mecanismos para pôr esse governo contra as cordas. A burguesia tenta impor as condições políticas necessárias que levem à convocação de novas eleições.
Para a esquerda, os áudios só afirmam o que já estávamos denunciando, a compra do Judiciário, a mídia corporativa e uma possível ligação com movimentos militaristas, para pressionar o governo do PT e retirar Dilma em função de por em prática os planos de ajustes da direita imperialista em crise.
E qual deve ser o posicionamento da esquerda nesse momento?
Em primeiro lugar, a situação política deve ser analisada a partir da visão geral da conjuntura internacional e nacional, colocando os componentes econômicos na base dessa análise. Devemos entender que a direita não é homogênea e tem em sua essência inúmeros setores que divergem entre si. Devemos ter a clareza que nesse momento todos esses setores devem ser combatidos com todas as forças. Desde os mais radicais como os fascistas até mesmo os que tentam impor de maneira mais disfarçadamente democrática, um capitalismo a la Macri, às custas dos “planos de ajustes”.
Existe uma grande ascensão de luta nas bases das categorias que se encontram na mira das privatizações, e dos fortes ataques de cortes econômicos. É preciso impulsionar a luta contra as privatizações, contra o “ajuste”, pela unificação integrada dos trabalhadores e a partir daí organizar um amplo movimento de caráter nacional antigolpista.
É golpe ou não é?
Conversa com Ex. presidente da Transpeto Sérgio Machado e Atual ministro de planejamento Romero Jucá.
Conversa com Ex. presidente da Transpeto Sérgio Machado e Atual ministro de planejamento Romero Jucá.
As informações foram divulgadas pelo jornal “Folha de S. Paulo” na edição desta segunda-feira.
SÉRGIO MACHADO - Mas viu, Romero, então eu acho a situação gravíssima.
SÉRGIO MACHADO - Mas viu, Romero, então eu acho a situação gravíssima.
ROMERO JUCÁ - Eu ontem fui muito claro. [...] Eu só acho o seguinte: com Dilma não dá, com a situação que está. Não adianta esse projeto de mandar o Lula para cá ser ministro, para tocar um gabinete, isso termina por jogar no chão a expectativa da economia. Porque se o Lula entrar, ele vai falar para a CUT, para o MST, é só quem ouve ele mais, quem dá algum crédito, o resto ninguém dá mais credito a ele para porra nenhuma. Concorda comigo? O Lula vai reunir ali com os setores empresariais?
MACHADO - Agora, ele acordou a militância do PT.
JUCÁ - Sim.
MACHADO - Aquele pessoal que resistiu acordou e vai dar merda.
JUCÁ - Eu acho que...
MACHADO - Tem que ter um impeachment.
JUCÁ - Tem que ter impeachment. Não tem saída.
MACHADO - E quem segurar, segura.
JUCÁ - Foi boa a conversa mas vamos ter outras pela frente.
MACHADO - Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisões de segunda instância], vai todo mundo delatar.
JUCÁ - Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo e a Odebrecht vão fazer.
MACHADO - Odebrecht vai fazer.
JUCÁ - Seletiva, mas vai fazer.
MACHADO - Queiroz [Galvão] não sei se vai fazer ou não. A Camargo [Corrêa] vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que... O Janot [procurador-geral da República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho.
[...]
JUCÁ - Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.
[...]
MACHADO - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].
JUCÁ - Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
MACHADO - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
JUCÁ - Com o Supremo, com tudo.
MACHADO - Com tudo, aí parava tudo.
JUCÁ - É. Delimitava onde está, pronto.
[...]
MACHADO - O Renan [Calheiros] é totalmente 'voador'. Ele ainda não compreendeu que a saída dele é o Michel e o Eduardo. Na hora que cassar o Eduardo, que ele tem ódio, o próximo alvo, principal, é ele. Então quanto mais vida, sobrevida, tiver o Eduardo, melhor pra ele. Ele não compreendeu isso não.
JUCÁ - Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem.
*
MACHADO - A situação é grave. Porque, Romero, eles querem pegar todos os políticos. É que aquele documento que foi dado...
JUCÁ - Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura, que não tem a ver com...
MACHADO - Isso, e pegar todo mundo. E o PSDB, não sei se caiu a ficha já.
JUCÁ - Caiu. Todos eles. Aloysio [Nunes, senador], [o hoje ministro José] Serra, Aécio [Neves, senador].
MACHADO - Caiu a ficha. Tasso [Jereissati] também caiu?
JUCÁ - Também. Todo mundo na bandeja para ser comido.
[...]
MACHADO - O primeiro a ser comido vai ser o Aécio.
JUCÁ - Todos, porra. E vão pegando e vão...
MACHADO - [Sussurrando] O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele ser presidente da Câmara? [Mudando de assunto] Amigo, eu preciso da sua inteligência.
JUCÁ - Não, veja, eu estou a disposição, você sabe disso. Veja a hora que você quer falar.
MACHADO - Porque se a gente não tiver saída... Porque não tem muito tempo.
JUCÁ - Não, o tempo é emergencial.
MACHADO - É emergencial, então preciso ter uma conversa emergencial com vocês.
JUCÁ - Vá atrás. Eu acho que a gente não pode juntar todo mundo para conversar, viu? [...] Eu acho que você deve procurar o [ex-senador do PMDB José] Sarney, deve falar com o Renan, depois que você falar com os dois, colhe as coisas todas, e aí vamos falar nós dois do que você achou e o que eles ponderaram pra gente conversar.
MACHADO - Acha que não pode ter reunião a três?
JUCÁ - Não pode. Isso de ficar juntando para combinar coisa que não tem nada a ver. Os caras já enxergam outra coisa que não é... Depois a gente conversa os três sem você.
MACHADO - Eu acho o seguinte: se não houver uma solução a curto prazo, o nosso risco é grande.
*
MACHADO - É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma...
JUCÁ - Não, esquece. Nenhum político desse tradicional ganha eleição, não.
MACHADO - O Aécio, rapaz... O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB...
JUCÁ - É, a gente viveu tudo.
*
JUCÁ - [Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem 'ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca'. Entendeu? Então... Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.
MACHADO - Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais. Essa cagada desses procuradores de São Paulo ajudou muito. [referência possível ao pedido de prisão de Lula pelo Ministério Público de SP e à condução coercitiva ele para depor no caso da Lava jato]
JUCÁ - Os caras fizeram para poder inviabilizar ele de ir para um ministério. Agora vira obstrução da Justiça, não está deixando o cara, entendeu? Foi um ato violento...
MACHADO -...E burro [...] Tem que ter uma paz, um...
JUCÁ - Eu acho que tem que ter um pacto.
[...]
MACHADO - Um caminho é buscar alguém que tem ligação com o Teori [Zavascki, relator da Lava Jato], mas parece que não tem ninguém.
JUCÁ - Não tem. É um cara fechado, foi ela [Dilma] que botou, um cara... Burocrata da... Ex-ministro do STJ [Superior Tribunal de Justiça].

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