sábado, 28 de maio de 2016

Avante mulheres... Nossa luta nunca foi fácil e nunca será!


Projeto “Escola sem Partido”, defendido por Alexandre Frota ( um estuprador confesso), pode ser aceito e levado à cabo para a definição de políticas educacionais no Brasil, impedindo que educadoras/es tratem das desigualdades e das violências cometidas contra nós, mulheres.


Por Meire Moreno, Militante feminista (
professora, que atuo junto ao EVA Coletivo Feminista e a Rede Feminista de Saúde).
Ontem, depois de um dia intenso de trabalho, cheguei em casa e me deparei com duas notícias terríveis: a primeira, o estupro coletivo contra a jovem carioca; a segunda, a visita de Alexandre Frota ao Ministro da Educação interino, Mendonça Filho (DEM).
O que os dois acontecimentos têm em comum? A cultura do estupro; A violência de gênero; A naturalização da violência contra a mulher; O medo; A indignação; A dor...
No primeiro caso, a brutalidade de 30 homens contra 01 jovem inconsciente; no segundo, Alexandre Frota, um estuprador confesso, apresentando propostas para os rumos da educação em nosso país. Entre as propostas do estuprador confesso, o fim da chamada “ideologia de gênero” nas escolas. Sim... esse é uma das pautas do “Escola sem Partido”.
Acredito, sinceramente, que a militância nas redes sociais contribui para a desnaturalização da violência contra as mulheres e para alcançarmos a equidade de gênero tão desejada por parte das feministas. Mas sempre acreditei, também, no trabalho de base, nas conversas e diálogos com as juventudes, entre outros. Acredito que, se por um lado a escola contribui para a (re)produção de violências e desigualdades, ela também pode ser um espaço libertador. Não é à toa que me tornei professora da rede estadual de ensino.
Foram duas notícias que me assustaram e indignaram, cada uma a sua maneira e intensidade, e me preocupam muito: uma menina, uma companheira, foi gravemente violada e violentada por 30, isso mesmo, 30 homens. As propostas do “Escola sem Partido”, defendidas, entre outros, por Alexandre Frota (lembrando, novamente, um estuprador confesso) podem ser aceitas e levadas à cabo para a definição de políticas educacionais no Brasil, impedindo que educadoras/es tratem das desigualdades, das violências cometidas contra nós, mulheres.
O ESTUPRO, é uma dessas tantas violências, talvez a mais dolorosa, a que deixa mais cicatrizes. A penalidade para as/os educadoras/es que ousarem se posicionar contra a cultura do estupro na escola fazendo referência as questões de gênero? Processos e até prisão! Isso mesmo... enquanto nossa dor é naturalizada, educadoras/es que se indignam com tamanha violência e buscam um caminho para que as/os estudantes reflitam sobre elas são tratadas/os como criminosas/os. Essa é nossa atual realidade: a violência grita enquanto nos colocam mordaças. É triste, é revoltante, é lamentável.
E o que vamos fazer?
Não podemos continuar paradas esperando mais uma violência, mais um retrocesso.
Não podemos nos esquecer de todos os projetos que tramitam ou tramitaram na Câmara e que, agora, têm grandes chances de serem aprovados:
·         Lei do Estupro, Estatuto do Nascituro,
·         Escola sem Partido,
·         Estatuto da Família, etc...
Avante mulheres... Nossa luta nunca foi fácil e nunca será!

Hoje o dia é de luto e de LUTA! #porumdiasemestupros #gêneronasescolassim #lutocontraaculturadoestupro #machistasnãopassarão

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