Projeto “Escola sem Partido”, defendido por Alexandre Frota ( um estuprador confesso), pode ser aceito e levado à cabo para a definição de políticas educacionais no Brasil, impedindo que educadoras/es tratem das desigualdades e das violências cometidas contra nós, mulheres.
Por Meire Moreno, Militante feminista (professora, que atuo junto ao EVA Coletivo Feminista e a Rede Feminista de Saúde).
Ontem, depois de um dia intenso de trabalho, cheguei em
casa e me deparei com duas notícias terríveis: a primeira, o estupro coletivo
contra a jovem carioca; a segunda, a visita de Alexandre Frota ao Ministro da
Educação interino, Mendonça Filho (DEM).
O que os dois acontecimentos têm em comum? A cultura do
estupro; A violência de gênero; A naturalização da violência contra a mulher; O
medo; A indignação; A dor...
No primeiro caso, a brutalidade de 30 homens contra 01
jovem inconsciente; no segundo, Alexandre Frota, um estuprador confesso,
apresentando propostas para os rumos da educação em nosso país. Entre as
propostas do estuprador confesso, o fim da chamada “ideologia de gênero” nas
escolas. Sim... esse é uma das pautas do “Escola sem Partido”.
Acredito, sinceramente, que a militância nas redes sociais
contribui para a desnaturalização da violência contra as mulheres e para
alcançarmos a equidade de gênero tão desejada por parte das feministas. Mas
sempre acreditei, também, no trabalho de base, nas conversas e diálogos com as
juventudes, entre outros. Acredito que, se por um lado a escola contribui para
a (re)produção de violências e desigualdades, ela também pode ser um espaço
libertador. Não é à toa que me tornei professora da rede estadual de ensino.
Foram duas notícias que me assustaram e indignaram, cada
uma a sua maneira e intensidade, e me preocupam muito: uma menina, uma
companheira, foi gravemente violada e violentada por 30, isso mesmo, 30 homens.
As propostas do “Escola sem Partido”, defendidas, entre outros, por Alexandre
Frota (lembrando, novamente, um estuprador confesso) podem ser aceitas e
levadas à cabo para a definição de políticas educacionais no Brasil, impedindo
que educadoras/es tratem das desigualdades, das violências cometidas contra nós,
mulheres.
O ESTUPRO, é uma dessas tantas violências, talvez a mais
dolorosa, a que deixa mais cicatrizes. A penalidade para as/os educadoras/es
que ousarem se posicionar contra a cultura do estupro na escola fazendo
referência as questões de gênero? Processos e até prisão! Isso mesmo...
enquanto nossa dor é naturalizada, educadoras/es que se indignam com tamanha
violência e buscam um caminho para que as/os estudantes reflitam sobre elas são
tratadas/os como criminosas/os. Essa é nossa atual realidade: a violência grita
enquanto nos colocam mordaças. É triste, é revoltante, é lamentável.
E o que vamos fazer?
Não podemos continuar paradas esperando mais uma violência,
mais um retrocesso.
Não podemos nos esquecer de todos os projetos que tramitam
ou tramitaram na Câmara e que, agora, têm grandes chances de serem aprovados:
·
Lei do Estupro,
Estatuto do Nascituro,
·
Escola sem Partido,
·
Estatuto da Família,
etc...
Avante mulheres... Nossa luta nunca foi fácil e nunca será!
Hoje o dia é de luto e de LUTA! #porumdiasemestupros
#gêneronasescolassim #lutocontraaculturadoestupro #machistasnãopassarão

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