sábado, 9 de julho de 2016

"Manifesto contra o projeto “Escola sem partido”




Nós, do Coletivo Mobiliza Londrina, viemos manifestar repúdio ao cerceamento ideológico que quer amordaçar a voz da educação no interior da escola pública através do projeto “Escola sem Partido”. Depois do golpe do judiciário, das mídias e do executivo contra nossa democracia e além das medidas que estão sendo tramitadas no governo ilegítimos de Michel Temer, o “Escola sem Partido” representa mais um retrocesso em relação à liberdade de expressão e às conquistas de direitos das chamadas minorias sociais.
Essa proposta de não se discutir “política” nas escolas vem sendo gestada há muito tempo e agora é propagandeada pela mídia corporativa e apoiada por vários governos estaduais e municipais. A ideia tomou corpo através de instituições como o “Todos pela Educação”, o “Instituto Millenium”, fortes defensores e articulistas da privatização da educação. Assim, a “Escola Sem Partido” virou projeto de lei,  PL 1411/2015, proposto pelo deputado Rogério Marinho, do PSDB, partido que está diretamente ligado ao golpe de estado no país.
O projeto prevê pena de prisão para o professor acusado de “assédio ideológico” e é inspirado nos modelos falidos de escolas norte-americanas.
Criada em 2004 existe hoje, no Brasil, uma ONG ligada aos EUA denominada “Escola sem partido”, a ONG é financiada por empresários brasileiros e estrangeiros e tem apoio dos grandes meios de comunicação. Ou seja, a escola controlada pela lei “escola sem partido”, na verdade toma, sim, um partido, o partido da direita golpista. É a volta da ditadura, que vai começar no cerne de onde deveria ocorrer o debate livre de ideias.
O que eles planejam fazer é fortalecer algo que já acontece nas escolas onde as práticas pedagógicas mais comuns costumam desprezar a pluralidade de ideais e o ensino leigo para dar voz ao pensamento conservador reproduzindo ideias e comportamentos da imprensa burguesa, a exemplo da revista Veja.
Com o projeto, que vem sendo chamado de Lei da Mordaça pelos professores no pais todo, o que se almeja é impor a ideologia dos partidos da direita, como os dogmas da classe dominante, para que se possa manter os filhos da classe trabalhadora sob total controle. Não querem discussão política nas escolas, se esta discussão servir para fortalecer a politização da população. Também vão perseguir as discussões sociais, como a questão de gênero, dos negros, das mulheres, etc, para que não se formem, na escola pública, pessoas com capacidade de livre pensar e de exigir seus direitos e o respeito que merecem.
Os partidos são resultados da organização da sociedade. Quando falam em retirar a discussão partidária das escolas, querem apenas proibir a manifestação dos partidos da esquerda, aqueles formados pelas organizações dos trabalhadores, e fazer prevalecer o partido de quem está no poder e controla o sistema educacional.
Tais projetos e afirmações remetem a períodos sombrios da história da educação brasileira e mundial. O Escola sem Partido é uma repetição de medidas fascistas e totalmente reacionárias que já ocorreram ao longo dos tempos, como na Alemanha nazista, e na Itália fascista. Assim como na ditadura militar de 1964 no Brasil, que perseguiu, matou e torturou milhares de pessoas que questionavam o regime.
Repudiamos todas as iniciativas que se antecipam à aprovação da lei da mordaça e colocam em prática a perseguição a professores que exercem seu papel de educadores cientes de que educar é um ato político. A liberdade de cátedra e a liberdade de expressão lhes são garantidas pela Constituição Federal. Não podemos admitir que um governo ilegítimo continue a rasgar a constituição para colocar em prática uma tirania contra a população. È chegada a hora de pais, alunos, professores e toda a comunidade se unir para defender a escola pública de qualidade, gratuita e leiga, que respeite a população, sua cultura e suas organizações.

Abaixo, exemplos de casos que foram gritantes no Brasil, e mostram que a perseguição já existe e não é necessária nenhuma lei para amordaçar ainda mais o trabalho dos professores.  
Todo apoio aos professores.  Se souber de algum caso de perseguição de professores por favor entre em contato, vamos denunciar e fortalecer nossa luta.

Londrina – PR.
Caso no Colégio IEEL em que um professor foi denunciando no Núcleo Regional por ter colocado a discussão de gênero, e depois da apresentação de um Trans no pátio da escola.



Curitiba (PR)

Professora da rede pública é afastada ao abordar Marx em sala de aula.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A esperança da esquerda na falácia Eleitoral.



Por prof. Carol. 

O movimento golpista está claramente em curso no Brasil. Não pode haver mais dúvidas. O próprio Partido dos Trabalhadores que, apesar de propagandear a luta contra o golpe, permitiu que ele avançasse com todas as forças. Por incrível que possa parecer, ainda há uma parcela considerável dentro do partido e em parte da esquerda que aposta suas forças no acordo com a direita, acreditam também na democracia burguesa e, pior ainda, botam fé nas eleições.
Ao mesmo tempo não podemos desconsiderar que a luta contra o golpe está avançando, sim! Porém, de maneira muito tímida em relação às forças da direita imperialista.
As evidências ficam ainda mais assustadoras quando começamos a ouvir a ala da direita nacional utilizar o discurso a favor do governo do PT e contra as medidas da extrema-direita. Kátia Abreu, a musa do latifúndio, no dia 05/07 fez um amplo discurso no julgamento do impeachment da presidenta, dizendo que tudo o que estamos passando no Brasil agora não passa de uma farsa. “Nós estamos vivendo aqui uma farsa. O inadmissível. E não vejo ninguém dizer da corrupção no governo da Dilma: foi ela sozinha ou foram todos os partidos que mamaram, sugaram esse governo durante cinco anos e agora estão do outro lado da mesa pedindo o impeachment da própria?”
Assim também como o professor Leandro Karnal, um conservador de direita, que se posicionou contra as medidas do Projeto de Lei Escola Sem Partido, dizendo que tais medidas são ultrajantes e representam a nova onda dos processos de ditadura. Trata-se de uma ala da direita nacional que pode estar mais avançada para entender os planos da extrema direita imperialista do que certas alas da própria esquerda.
A direita representada pela burguesia nacional sabe muito bem o risco de se apoiar em políticas que não vão dar conta de segurar a crise no país, que um novo período de recessão está por vir. Sabe também, que, diante disso, a direita imperialista vai utilizar de sua política de terra arrasada para conseguir o que quer e, assim, poderá provocar uma grande reação da classe trabalhadora.
Neste ano teremos o processo eleitoral municipal. Nele, como sempre, o poder econômico prevalecerá sobre a vontade popular. E no momento de crise e de avanço da direita contra todas as expressões e organizações da classe trabalhadora, qual a ilusão que os partidos de esquerda podem nutrir no seu eleitorado? Difícil decifrar, porém uma coisa é certa, se a esquerda eleitoreira não abraçar de vez a direita, não terá chances nenhuma de ocupar as cadeiras eletivas. Depois do processo de impeachment (golpe) da presidente Dilma, alguém ainda tem dúvidas de qual lado está a Justiça que controla o processo eleitoral no Brasil? Essa política centrista, em favor da conciliação de classes, promovida pelos partidos de esquerda, explodiu. Só não vê os que estão cegos após tantos anos de oportunismo.
O processo eleitoral burguês deve ser apenas uma plataforma de agitação e propaganda, mesmo elegendo parlamentares. Não deve haver nenhuma esperança em se fazer mudanças por dentro, isso seria uma traição absurda aos interesses dos trabalhadores.
O que essa esquerda eleitoreira deposita hoje é apenas a evidência de que estão totalmente distantes da classe operária que deveria estar financiando seus partidos de forma independente.

Os partidos e movimentos de esquerda que oportunamente viveram o período de refluxo da classe operária, totalmente paralisados, mantém sua crença nas eleições controladas pela burguesia porque já não sabem e/ou conseguem mais agir com os instrumentos de luta dos trabalhadores que são as mobilizações, as greves, a luta nas ruas, junto à classe operária e de forma independente. Nenhuma crença deve existir nas eleições burguesas, muito menos em acordos com a direita nacional centrista. A crise é do sistema capitalista e o golpe de Estado que vivemos é para salvar a pele dos parasitas capitalistas, contra o povo. Somente o povo nas ruas vai criar uma luta real e combativa contra ele.

terça-feira, 5 de julho de 2016

UEL em estado de greve.





O coletivo mobiliza Londrina da todo seu apoio a mobilização dos servidores públicos. 
Resultado da assembleia docente realizada (05/07).

Os professores, por unanimidade, decidiram se manter em estado de greve, com assembleia permanente, para acompanhar os próximos passos do governo Richa, e mostrar que não aceitarão novos ataques contra a educação. Se o governo enviar à Assembleia Legislativa o projeto que revoga a reposição das perdas, a tendência é decretar a greve, de fato!

Os professores, por unanimidade, também aprovaram moção de apoio aos estudantes que foram presos, em Londrina, por protestar contra os ataques do governo Richa à educação pública.

No plano federal, os professores, também por unanimidade, aprovaram carta de repúdio às ações e nomeações do governo TEMER, que significam ataque à cultura, ciência e tecnologia e educação pública, de qualidade e democrática; o ataque ao SUS; o desmonte do SUAS; o ataque aos direitos das ' minorias' e aos direitos dos trabalhadores. O retrocesso vem de todos os lados, mas os professores da UEL, junto com os estudantes e técnicos, vão à luta!

Vem!

Escola COM partido. O partido da direita.




Por prof. Marcos.
. Os defensores da dita escola sem partido acreditam que a aprendizagem aconteça sem debate, sem posicionamento. O nome já é tendencioso, porque não é uma questão partidária, mas ideológica, Aristóteles mesmo já afirmava que o homem é um animal político.
E em Londrina, é bom lembrar aos reacionários de plantão, como Paulo Briguet ou Felipe Barros. A própria grade curricular em todos os níveis de ensino é uma opção política, o que é democrático, se houver representantes dos envolvidos participando da formulação, e se essa mesma grade respeita a diversidade cultural e a tolerância. Mas a “escola sem partido” que defendem é a escola da opressão, é a do pai nosso antes da aula, do tecnicismo sem reflexão, do ensino apenas para o mercado, é a escola do ospb, da que deturpa o pensamento de um dos maiores pensadores brasileiros, por ignorância, por nunca terem lido Paulo Freire, mas falarem mal porque o protagonista é o povo.
Para Briguet e Barros, esse formato de escola não é ideológica, esse formato é o normal, é o modelo tradição, família e propriedade. Chamam os professores questionadores deste status quo de esquerdistas arrogantes, como foi publicado na folha local, há décadas reprodutora deste discurso alienante.
O correto, para esses cupinchas do golpismo, seria o silêncio e a obediência.
Alegro-me da ousadia e atitude de muitos colegas que não por arrogância, mas por esclarecimento não se curvam a essa censura disfarçada de neutralidade. Venham debater conosco a Escola Popular e agregadora que nós propomos e praticamos. O oportunismo eleitoral de um Felipe Barros, ou a escrita envernizada e frívola de um Briguet não se sustentarão. Mesmo um programa televisivo aparelhado pelo obscurantismo do psdb teve que levar ao ar essas evidências, que só um analfabeto político não pode ver, por ter sido vítima deste sistema.