sábado, 28 de maio de 2016

Lembrar o passado e barrar o golpe.



Por Professora Carol.

O que  pôs fim na ditadura de 1964, será o impulsionador na luta contra o golpe. .

 Nos final dos anos 70 a crise no Brasil instaurou um clima de forte instabilidade. O alto nível das privatizações e as elevadas taxas de juros trouxeram um contexto de arrocho dos salários e o fim da ilusão do crescimento verificado durante o Milagre Econômico no Brasil.
Consequentemente a essa situação econômica surgiu um novo quadro sindicalista que aflorou entre os anos de 1978 e 1980, resultando na criação da CUT, da confederação dos trabalhadores (CGT), além de construir as bases do Partido dos trabalhadores (PT).
No Brasil, em que não havia greves consideráveis desde 1968, quando o regime militar mostrou sua face mais agressiva, vai haver uma reação das direções sindicais e o movimento grevista inicia-se com a greve nas fábricas de caminhões da Saab-Scania no ABC paulista. Cerca de 2 mil metalúrgicos pararam pela reivindicação de 20% de aumento salarial. Nesse mesmo momento uma onda grevista surgiu em outras cidades paulistas e se alastrou para os vários setores de ponta, nas empresas como a Ford, Mercedes-Benz e Volkswagen. 
Ganhando cada vez mais força, o movimento grevista se alastrou para outros setores de trabalho como professores, bancários, funcionários públicos em geral, jornalistas, operários da construção civil, lixeiros, médicos entre outras categorias que se uniram para lutar contra a crise instaurada no país.
No ano de 1980, uma das maiores greves ocorreu em São Bernardo do Campo, durando 41 dias e mobilizou mais de 300mil metalúrgicos. 1984, de acordo com os dados do DIEESE, foi o ano recordista em sua série histórica, tendo registrado, de acordo estudos desse órgão, 2050 greves, frente ao ano anterior que registrara 877. Este número de movimentos paredistas ocorridos ainda na ditadura militar supera, inclusive, o forte momento histórico de 1989, quando foram registradas 1962 greves.
Com as greves dos anos 80, as burocracias sindicais paralisadas há muito tempo tiveram um grande impulso e dali surgiram novas lideranças que não queriam apenas ficar nas negociações e mesas de reuniões com o Estado. Essa ascensão teve a solidariedade de toda a população, que via de maneira positiva as mobilizações.
Outro ponto ultra importante e característico dos movimentos foi a organização financeira dos grevistas que conseguiam, de forma independente, arrecadar recursos e alimentos para os fundos de greve.

Qual o significa das greves na luta contra o golpe?
As greves acarretaram no enfraquecimento ainda maior do regime militar e o surgimento de um polo aglutinador das forças de esquerda, fragmentadas durante a ditadura, em torno da CUT e do PT, que se tornariam elementos de organização extremamente influentes nas três décadas posteriores. Esse movimento fez instituir, por exemplo, o direito de greve, em 1989, uma grande conquista da classe trabalhadora.

Mesmo enfraquecidos, os governos do final da ditadura tentaram de várias formas reprimir todo e qualquer movimento de luta, com prisões, torturas e mortes, assim como intervenções diretas nos sindicatos mais ativos. Porém a greve é a defesa do trabalhador para o atendimento de suas reivindicações e é nessa luta que se discutem, principalmente, as pautas de lutas políticas contra a estrutura da sociedade.
Quando os operários levantam unidos suas reivindicações e se negam a submeter-se a quem controla os meios de produção, eles avançam em sua posição e passam a exigir que seu trabalho não sirva somente para enriquecer  um punhado de parasitas, mas que permita-lhes viver como pessoas com direitos à vida plena.

A história mostra que somente a luta da classe trabalhadora organizada, nas ruas, pode derrotar a investida da direita contra suas conquistas. A Greve Geral, como uma proposta real e unificada, neste momento é o chamado para preparar os trabalhadores e barrar de vez o golpe.


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