sábado, 28 de maio de 2016

Lembrar o passado e barrar o golpe.



Por Professora Carol.

O que  pôs fim na ditadura de 1964, será o impulsionador na luta contra o golpe. .

 Nos final dos anos 70 a crise no Brasil instaurou um clima de forte instabilidade. O alto nível das privatizações e as elevadas taxas de juros trouxeram um contexto de arrocho dos salários e o fim da ilusão do crescimento verificado durante o Milagre Econômico no Brasil.
Consequentemente a essa situação econômica surgiu um novo quadro sindicalista que aflorou entre os anos de 1978 e 1980, resultando na criação da CUT, da confederação dos trabalhadores (CGT), além de construir as bases do Partido dos trabalhadores (PT).
No Brasil, em que não havia greves consideráveis desde 1968, quando o regime militar mostrou sua face mais agressiva, vai haver uma reação das direções sindicais e o movimento grevista inicia-se com a greve nas fábricas de caminhões da Saab-Scania no ABC paulista. Cerca de 2 mil metalúrgicos pararam pela reivindicação de 20% de aumento salarial. Nesse mesmo momento uma onda grevista surgiu em outras cidades paulistas e se alastrou para os vários setores de ponta, nas empresas como a Ford, Mercedes-Benz e Volkswagen. 
Ganhando cada vez mais força, o movimento grevista se alastrou para outros setores de trabalho como professores, bancários, funcionários públicos em geral, jornalistas, operários da construção civil, lixeiros, médicos entre outras categorias que se uniram para lutar contra a crise instaurada no país.
No ano de 1980, uma das maiores greves ocorreu em São Bernardo do Campo, durando 41 dias e mobilizou mais de 300mil metalúrgicos. 1984, de acordo com os dados do DIEESE, foi o ano recordista em sua série histórica, tendo registrado, de acordo estudos desse órgão, 2050 greves, frente ao ano anterior que registrara 877. Este número de movimentos paredistas ocorridos ainda na ditadura militar supera, inclusive, o forte momento histórico de 1989, quando foram registradas 1962 greves.
Com as greves dos anos 80, as burocracias sindicais paralisadas há muito tempo tiveram um grande impulso e dali surgiram novas lideranças que não queriam apenas ficar nas negociações e mesas de reuniões com o Estado. Essa ascensão teve a solidariedade de toda a população, que via de maneira positiva as mobilizações.
Outro ponto ultra importante e característico dos movimentos foi a organização financeira dos grevistas que conseguiam, de forma independente, arrecadar recursos e alimentos para os fundos de greve.

Qual o significa das greves na luta contra o golpe?
As greves acarretaram no enfraquecimento ainda maior do regime militar e o surgimento de um polo aglutinador das forças de esquerda, fragmentadas durante a ditadura, em torno da CUT e do PT, que se tornariam elementos de organização extremamente influentes nas três décadas posteriores. Esse movimento fez instituir, por exemplo, o direito de greve, em 1989, uma grande conquista da classe trabalhadora.

Mesmo enfraquecidos, os governos do final da ditadura tentaram de várias formas reprimir todo e qualquer movimento de luta, com prisões, torturas e mortes, assim como intervenções diretas nos sindicatos mais ativos. Porém a greve é a defesa do trabalhador para o atendimento de suas reivindicações e é nessa luta que se discutem, principalmente, as pautas de lutas políticas contra a estrutura da sociedade.
Quando os operários levantam unidos suas reivindicações e se negam a submeter-se a quem controla os meios de produção, eles avançam em sua posição e passam a exigir que seu trabalho não sirva somente para enriquecer  um punhado de parasitas, mas que permita-lhes viver como pessoas com direitos à vida plena.

A história mostra que somente a luta da classe trabalhadora organizada, nas ruas, pode derrotar a investida da direita contra suas conquistas. A Greve Geral, como uma proposta real e unificada, neste momento é o chamado para preparar os trabalhadores e barrar de vez o golpe.


Avante mulheres... Nossa luta nunca foi fácil e nunca será!


Projeto “Escola sem Partido”, defendido por Alexandre Frota ( um estuprador confesso), pode ser aceito e levado à cabo para a definição de políticas educacionais no Brasil, impedindo que educadoras/es tratem das desigualdades e das violências cometidas contra nós, mulheres.


Por Meire Moreno, Militante feminista (
professora, que atuo junto ao EVA Coletivo Feminista e a Rede Feminista de Saúde).
Ontem, depois de um dia intenso de trabalho, cheguei em casa e me deparei com duas notícias terríveis: a primeira, o estupro coletivo contra a jovem carioca; a segunda, a visita de Alexandre Frota ao Ministro da Educação interino, Mendonça Filho (DEM).
O que os dois acontecimentos têm em comum? A cultura do estupro; A violência de gênero; A naturalização da violência contra a mulher; O medo; A indignação; A dor...
No primeiro caso, a brutalidade de 30 homens contra 01 jovem inconsciente; no segundo, Alexandre Frota, um estuprador confesso, apresentando propostas para os rumos da educação em nosso país. Entre as propostas do estuprador confesso, o fim da chamada “ideologia de gênero” nas escolas. Sim... esse é uma das pautas do “Escola sem Partido”.
Acredito, sinceramente, que a militância nas redes sociais contribui para a desnaturalização da violência contra as mulheres e para alcançarmos a equidade de gênero tão desejada por parte das feministas. Mas sempre acreditei, também, no trabalho de base, nas conversas e diálogos com as juventudes, entre outros. Acredito que, se por um lado a escola contribui para a (re)produção de violências e desigualdades, ela também pode ser um espaço libertador. Não é à toa que me tornei professora da rede estadual de ensino.
Foram duas notícias que me assustaram e indignaram, cada uma a sua maneira e intensidade, e me preocupam muito: uma menina, uma companheira, foi gravemente violada e violentada por 30, isso mesmo, 30 homens. As propostas do “Escola sem Partido”, defendidas, entre outros, por Alexandre Frota (lembrando, novamente, um estuprador confesso) podem ser aceitas e levadas à cabo para a definição de políticas educacionais no Brasil, impedindo que educadoras/es tratem das desigualdades, das violências cometidas contra nós, mulheres.
O ESTUPRO, é uma dessas tantas violências, talvez a mais dolorosa, a que deixa mais cicatrizes. A penalidade para as/os educadoras/es que ousarem se posicionar contra a cultura do estupro na escola fazendo referência as questões de gênero? Processos e até prisão! Isso mesmo... enquanto nossa dor é naturalizada, educadoras/es que se indignam com tamanha violência e buscam um caminho para que as/os estudantes reflitam sobre elas são tratadas/os como criminosas/os. Essa é nossa atual realidade: a violência grita enquanto nos colocam mordaças. É triste, é revoltante, é lamentável.
E o que vamos fazer?
Não podemos continuar paradas esperando mais uma violência, mais um retrocesso.
Não podemos nos esquecer de todos os projetos que tramitam ou tramitaram na Câmara e que, agora, têm grandes chances de serem aprovados:
·         Lei do Estupro, Estatuto do Nascituro,
·         Escola sem Partido,
·         Estatuto da Família, etc...
Avante mulheres... Nossa luta nunca foi fácil e nunca será!

Hoje o dia é de luto e de LUTA! #porumdiasemestupros #gêneronasescolassim #lutocontraaculturadoestupro #machistasnãopassarão

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Sem Temer jamais!!!




Por La Servante. 
Os acontecimentos políticos atuais estão nos fazendo refletir sobre o nosso país e a forma como ele vem sendo governado. 

Esse quadro se dá tanto pelos que se intitulam como esquerda, os de centro e os de direita, quanto àqueles mais radicais em suas linhas políticas ou, até mesmo, os anarquistas.
O que se sabe até agora é que nos encontramos em um momento muito crítico como nação. Os abutres políticos dominaram o poder e continuam a usurpar toda a riqueza existente, construindo uma nova república às avessas e tomando para si os impostos roubados de nós.
Nessa linha, podemos dizer que estamos polarizados em nossas correntes de pensamento e de ideologia, sendo assim, estamos incapazes de nos atentar a quem essa cegueira coletiva beneficia. 


Tentei fazer uma reflexão essa manhã: Quem não andou tendo brigas em seus círculos familiares, no trabalho ou com amigos por conta da polarização política atual?

Meses atrás o tema mais discutido era o Impeachment da presidenta Dilma, hoje por conta de toda a podridão escancarada nas mídias e nos processos judiciais, a cada dia temos um acontecimento novo e que nos deixa perplexos e abatidos como brasileiros, mas me intriga: será que estamos tendo a mesma discussão sobre todo o conteúdo que vem à tona? Valeu a pena todo o tempo fazendo um textão nas redes sociais para responder os ataques ou atacar alguém?

Estou bem perplexa com o silêncio das panelas, ou, com o silêncio dos líderes que não tinham bandido de estimação e talvez mais perplexa por aqueles meus amigos que ontem eram especialistas em juridiquês e politiquismo, e hoje voltaram a dizer que odeiam política.
Me indigno sim! Todos os dias ao abrir o jornal, navegar na internet ou ligar a televisão e ser financiadora dos luxos de políticos que percebi nunca terem me representado, mas a si, suas família e seus financiadores de campanha.
Geralmente tendo aquela sensação de perceber que a seleção do meu país estava perdendo de 7x1 na copa do mundo, jogando em casa, e diáriamente uma derrota nova e um sentimento de impotência.
Talvez o mesmo ocorra com você hoje, o mesmo ocorra com pessoas que com o manto daquela seleção da copa tomou ás ruas nas manifestações pelo impedimento da presidenta; a mesma sensação por aqueles que acreditaram em um projeto de governo melhor para o país ou aqueles que sempre estiveram ao lado dos esquecidos pelas políticas públicas e órfãos de governo ou representação política. Estamos todos sendo derrotados.
Mais do que nunca na história dessa nação o fato é que estamos sendo taxados de bobos e ingênuos, independentemente da nossa visão ideológica. Isso se deve pelo péssimo hábito de não conversarmos sobre política e entendermos como ela funciona de verdade, na pratica e no dia a dia, independentemente das correntes doutrinárias que seguimos, e essa é a verdadeira revolução.
Precisamos mudar, reformar e constituir novos rumos para o país, mas isso só será possível ocupando às ruas, escolas, parques, shopping e a nossa casa com um ponderaremos mais leve sobre política até a submersão dessas questões e digerirmos de várias formas essa conjectura, a partir daí nos mobilizando pela cidade por mais direitos e mais conquistas.
Resta evidente que os políticos não nos temem, talvez por deixarmos de mastigar essa conjectura e culparmos os nossos irmãos de nação por suas lutas políticas, independentemente de qual lado ele esteja. Os políticos não nos temem, talvez  por sermos levados por movimentos ocos, e que no fim, foram criados por eles mesmos. Os políticos não nos temem por odiarmos política e não nos temem por não nos mobilizarmos.
Está na hora de abandonar nosso time ideológico e abraçar uma causa mobilizadora que não quer te enganar ou te usar como massa numérica e proteger criminosos. Abandonar a cegueira coletiva e enxergarmos que os políticos atuais se protegem e não nos temem, e por não nos temer, continuam a usurpar de nós mantendo suas benesses e seus privilégios.
Devemos adentrar numa luta de mobilização, não para defender algum político, muito pelo contrário, mas para começar a culpar os verdadeiros culpados que assaltam e matam todos os dias, aqueles corruptos de carteirinha que também usam o nome de Deus para mascarar seus crimes, sem continuar a fazermos o outro de inimigo, e ao mesmo tempo, um possível ingênuo.
Para muitos é difícil abandonar seu comodismo e partir para ações mobilizadoras, é compreensível pelo trabalho, família, estudos e amigos que não podemos deixar de lado, mas incompreensivo trazer para nossos meios sociais novas formas de falar sobre política, sobre a conjectura atual e como ela realmente ocorre, sempre contra os políticos corruptos de carteirinha e compreender que ações que podem parecer pequenas, são valiosas para a sociedade, sendo assim, uma forma de mobilização transformadora e revolucionária.

Penso que da hora de tentarmos uma mobilização revolucionária, e sem temer jamais.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Ainda filosofando, a retomada de juntarmos todas as forças do campo progressista


Por Marilys Garani
Hoje está interessante viver em Londrina, a retomada de juntarmos todas as forças do campo progressista.
As disputas aqui, com mais destaque na vaidade pessoal, ficavam em torno de quem chamou, quem aglutinou, quem tem representatividade.
E as pessoas dispostas a realmente lutar por bandeiras, por avanços,  se cansavam destas práticas também dominadoras. Restava o espaço micropolítico, aquele da desconstrução cotidiana do pensamento,da fala, da ação conservadora.
E fizemos uma Londrina de 2 classes fundamentais na esquerda,  os que se  articulam, se auto dominando lideranças, decidindo por todos e agindo em nome de todos. Ocupando cargos, agregando interesses , interessados e interesseiros.
E outra, a do debate quase solitário,  que busca ação conjunta e democrática em todas as esferas da vida política.
A grande derrota que tivemos no nível nacional pode ter entre seus diversos fatores a condução arrogante dos processos.  
Hoje todos reconhecem os grandes avanços dos últimos 13 anos,  mas, sempre tem o mas, porque não fizemos isso juntos? Quando vi a Dilma conversar com o povo, depois de afastada, pensei: teve que sair para entrar? Entrar no desejo das pessoas se sentirem parte.


Por isso acredito em coletivos horizontais como esse aqui. Com as possibilidades de escuta, de debate e de práticas conjuntas!!

Nenhum direito a menos! Participe junto ao Coletivo UEL contra o golpe!





Confecção de material – Grupo de intervenção/eventos
https://www.facebook.com/groups/1747791805498328/

Curso de formação política: Como funciona a sociedade? – Grupo de Formação política
https://www.facebook.com/groups/1759951810915171/










https://www.facebook.com/220689454981308/photos/a.224244211292499.1073741828.220689454981308/225119261204994/?type=3&theater

terça-feira, 24 de maio de 2016

O que realmente quer a direita? É golpe ou não é?



Por Professora Carol. 
Depois dos áudios vazados a direita avança em mais uma engrenagem no golpe. Veja abaixo do texto, trecho da conversa entre Sérgio Machado e Romero Jucá.

Apesar de fazer em poucas semanas os direitos trabalhistas serem levados para o buraco, a direita pró-imperialista ainda não esta satisfeita com os resultados. O governo Michel Temer, não reconhecido pela população, já sofre um enorme desgaste, e parece ainda não ter realizado as propostas de austeridade encaminhadas pela economia norte-americana.
O governo Temer nesse momento representa o elo de ligação que os países dominantes precisavam entre os setores da direita, contraditórios entre si. De um lado, temos Eduardo Cunha, que apresenta,o mais próximo possível, uma ligação com o governo de Michel Temer que quer apenas se manter no governo, de outro lado, os setores mais à direita como o PSDB representando os interesses diretos das multinacionais.
Os áudios gravados que foram publicados hoje (23/05/2016) incriminando Romero Jucá, novo ministro do planejamento, "vazaram" após o golpe parlamentar ter sido vitorioso. Por quê? Primeiramente, os áudios dificultariam a retirada da presidenta do poder e incriminariam a ala mais próxima do governo que iria assumir.  E, principalmente, o vazamento dos áudios vieram para pressionar o governo Temer, ultramente desgastado, a levar os planos da direita às últimas consequências.  Pois o que quer a mídia corporativa e toda cúpula que já está sob o controle do desse setor (Ministério Público, Polícia federal...)?
A realidade é simples, a extrema-direita demonstra uma tremenda falta de confiança nos planos desse governo, por se tratar de um governo fraco, cheio de contradições, sem contar com o forte desgaste perante a população.
A política do governo Temer representa para o Brasil uma segunda “onda neoliberal” que dá continuidade aos brutais ataques impostos pelos governos FHC.
O governo Temer é um governo extremamente fraco para impor ataques previstos para o próximo momento da crise mundial. A estratégia que os países desenvolvidos viram para acalmar sua crise, foi substituir o governo do PT. Por esse motivo, os setores mais direitistas se valem da Lava-Jato e de outros mecanismos para pôr esse governo contra as cordas. A burguesia tenta impor as condições políticas necessárias que levem à convocação de novas eleições.
Para a esquerda, os áudios só afirmam o que já estávamos denunciando, a compra do Judiciário, a mídia corporativa e uma possível ligação com movimentos militaristas, para pressionar o governo do PT e retirar Dilma em função de por em prática os planos de ajustes da direita imperialista em crise.
E qual deve ser o posicionamento da esquerda nesse momento?
Em primeiro lugar, a situação política deve ser analisada a partir da visão geral da conjuntura internacional e nacional, colocando os componentes econômicos na base dessa análise. Devemos entender que a direita não é homogênea e tem em sua essência inúmeros setores que divergem entre si. Devemos ter a clareza que nesse momento todos esses setores devem ser combatidos com todas as forças. Desde os mais radicais como os fascistas até mesmo os que tentam impor de maneira mais disfarçadamente democrática, um capitalismo a la Macri, às custas dos “planos de ajustes”. 

Existe uma grande ascensão de luta nas bases das categorias que se encontram na mira das privatizações, e dos fortes ataques de cortes econômicos. É preciso impulsionar a luta contra as privatizações, contra o “ajuste”, pela unificação integrada dos trabalhadores e a partir daí organizar um amplo movimento de caráter nacional antigolpista.

É golpe ou não é? 
Conversa com Ex. presidente da Transpeto Sérgio Machado e Atual ministro de planejamento Romero Jucá. 

As informações foram divulgadas pelo jornal “Folha de S. Paulo” na edição desta segunda-feira.

SÉRGIO MACHADO -
 Mas viu, Romero, então eu acho a situação gravíssima.
ROMERO JUCÁ - Eu ontem fui muito claro. [...] Eu só acho o seguinte: com Dilma não dá, com a situação que está. Não adianta esse projeto de mandar o Lula para cá ser ministro, para tocar um gabinete, isso termina por jogar no chão a expectativa da economia. Porque se o Lula entrar, ele vai falar para a CUT, para o MST, é só quem ouve ele mais, quem dá algum crédito, o resto ninguém dá mais credito a ele para porra nenhuma. Concorda comigo? O Lula vai reunir ali com os setores empresariais?
MACHADO - Agora, ele acordou a militância do PT.
JUCÁ - Sim.
MACHADO - Aquele pessoal que resistiu acordou e vai dar merda.
JUCÁ - Eu acho que...
MACHADO - Tem que ter um impeachment.
JUCÁ - Tem que ter impeachment. Não tem saída.
MACHADO - E quem segurar, segura.
JUCÁ - Foi boa a conversa mas vamos ter outras pela frente.
MACHADO - Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisões de segunda instância], vai todo mundo delatar.
JUCÁ - Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo e a Odebrecht vão fazer.
MACHADO - Odebrecht vai fazer.
JUCÁ - Seletiva, mas vai fazer.
MACHADO - Queiroz [Galvão] não sei se vai fazer ou não. A Camargo [Corrêa] vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que... O Janot [procurador-geral da República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho.
[...]
JUCÁ - Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.
[...]
MACHADO - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].
JUCÁ - Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
MACHADO - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
JUCÁ - Com o Supremo, com tudo.
MACHADO - Com tudo, aí parava tudo.
JUCÁ - É. Delimitava onde está, pronto.
[...]
MACHADO - O Renan [Calheiros] é totalmente 'voador'. Ele ainda não compreendeu que a saída dele é o Michel e o Eduardo. Na hora que cassar o Eduardo, que ele tem ódio, o próximo alvo, principal, é ele. Então quanto mais vida, sobrevida, tiver o Eduardo, melhor pra ele. Ele não compreendeu isso não.
JUCÁ - Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem.
*
MACHADO - A situação é grave. Porque, Romero, eles querem pegar todos os políticos. É que aquele documento que foi dado...
JUCÁ - Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura, que não tem a ver com...
MACHADO - Isso, e pegar todo mundo. E o PSDB, não sei se caiu a ficha já.
JUCÁ - Caiu. Todos eles. Aloysio [Nunes, senador], [o hoje ministro José] Serra, Aécio [Neves, senador].
MACHADO - Caiu a ficha. Tasso [Jereissati] também caiu?
JUCÁ - Também. Todo mundo na bandeja para ser comido.
[...]
MACHADO - O primeiro a ser comido vai ser o Aécio.
JUCÁ - Todos, porra. E vão pegando e vão...
MACHADO - [Sussurrando] O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele ser presidente da Câmara? [Mudando de assunto] Amigo, eu preciso da sua inteligência.
JUCÁ - Não, veja, eu estou a disposição, você sabe disso. Veja a hora que você quer falar.
MACHADO - Porque se a gente não tiver saída... Porque não tem muito tempo.
JUCÁ - Não, o tempo é emergencial.
MACHADO - É emergencial, então preciso ter uma conversa emergencial com vocês.
JUCÁ - Vá atrás. Eu acho que a gente não pode juntar todo mundo para conversar, viu? [...] Eu acho que você deve procurar o [ex-senador do PMDB José] Sarney, deve falar com o Renan, depois que você falar com os dois, colhe as coisas todas, e aí vamos falar nós dois do que você achou e o que eles ponderaram pra gente conversar.
MACHADO - Acha que não pode ter reunião a três?
JUCÁ - Não pode. Isso de ficar juntando para combinar coisa que não tem nada a ver. Os caras já enxergam outra coisa que não é... Depois a gente conversa os três sem você.
MACHADO - Eu acho o seguinte: se não houver uma solução a curto prazo, o nosso risco é grande.
*
MACHADO - É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma...
JUCÁ - Não, esquece. Nenhum político desse tradicional ganha eleição, não.
MACHADO - O Aécio, rapaz... O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB...
JUCÁ - É, a gente viveu tudo.
*
JUCÁ - [Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem 'ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca'. Entendeu? Então... Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.
MACHADO - Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais. Essa cagada desses procuradores de São Paulo ajudou muito. [referência possível ao pedido de prisão de Lula pelo Ministério Público de SP e à condução coercitiva ele para depor no caso da Lava jato]
JUCÁ - Os caras fizeram para poder inviabilizar ele de ir para um ministério. Agora vira obstrução da Justiça, não está deixando o cara, entendeu? Foi um ato violento...
MACHADO -...E burro [...] Tem que ter uma paz, um...
JUCÁ - Eu acho que tem que ter um pacto.

[...]
MACHADO - Um caminho é buscar alguém que tem ligação com o Teori [Zavascki, relator da Lava Jato], mas parece que não tem ninguém.
JUCÁ - Não tem. É um cara fechado, foi ela [Dilma] que botou, um cara... Burocrata da... Ex-ministro do STJ [Superior Tribunal de Justiça].

Um dos principais legados psicológicos do golpe: nos tirar do sonho que o Brasil tinha se tornado um país autônomo.


Um dos principais legados psicológicos do golpe foi nos tirar do sonho de que o Brasil tinha se tornado de fato um país autônomo. 
Com uma agenda geopolítica, social e econômica madura, e nos devolver à condição de republiqueta sul-americana (ainda que uma republiqueta de dimensões continentais, com um dos maiores PIBs do planeta, oque é ainda mais trágico) a serviço dos interesses estadunidenses, dos especuladores financeiros e da elite nativa, com raras exceções dividida entre vira-latas subservientes sem ambição e ladrões descarados de matizes variadas.

Irônico que os que mais se excitam com o retorno a essa condição tenham ostentado em seus atos, cujo ridículo hoje salta aos olhos até dos mais ignorantes, justamente a camisa da seleção brasileira de futebol, suposto símbolo de soberania nacional, cuja legitimidade unificadora foi irreparavelmente destruída nos últimos anos. Não por coincidência, a Globo é a instituição que melhor representa essa aliança perversa entre manipulação do sentimento nacional para fins colonizatórios e construção de mentiras para manter seus acintosos privilégios de monopólio da comunicação financiados pelo estado brasileiro, juntamente com os políticos que garantem sua perpetuação. 

Felizmente, a tecnologia da informação e o crescimento exponencial do descontentamento e da mobilização contra essa organização começam a enfraquecer de forma sensível seu poder.

 A Globo é uma das maiores alegorias do nosso subdesenvolvimento, para usar um termo do Ismail Xavier, e precisamos seguir no caminho de superá-la como detentora do discurso sobre o ser brasileiro.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

MANIFESTO DO COLETIVO MOBILIZA LONDRINA


Este Coletivo nasceu com o objetivo de contribuir, em Londrina e região, com a luta contra o golpe de Estado que está em processo no país.

Enquanto professores(as), empregadas(os) domésticas(os), aposentados(as), contadores(as), operárias(os), comerciárias(os), secretários(as), assistentes sociais, bibliotecários(as), servidores(as) públicos(as), camelôs e marreteiros, advogadas(os), estudantes. Classe Trabalhadora, gente do campo e da cidade, somos contra um golpe que nos atinge diretamente!

A fim de enfraquecer os movimentos sociais e os partidos de esquerda a direita golpista tem colocado cada vez mais suas manguinhas de fora e não há como negar que estamos em um momento decisivo do golpe, e consequentemente, de luta contra ele.
O que está em jogo?  É a retirada dos direitos que os trabalhadores conquistaram em suas lutas e um ataque avassalador contra a economia nacional.

Somos lutadores e lutadoras do povo, que mesmo apontando as contradições e equívocos do governo do PT, não compactuamos com este atentado contra o Estado Democrático de Direitos, e nos negamos a caminhar lado a lado com quem representa os senhores do engenho. Somos descendentes de uma população que luta na construção de um Estado de Direito no qual todos e todas tenham educação, moradia, cultura, saúde e direito a uma vida digna. Muitos de nós integramos movimentos sociais em luta por questões básicas: luz instalada, água encanada, rua asfaltada e criança matriculada na escola.

Muitos de nós compomos mutirões para construir nossas moradias, enfrentamos o latifúndio e especuladores, que impedem nosso direito à moradia e destroem os recursos naturais com objetivo de lucro.
Não queremos ser taxados de terroristas por simplesmente lutar pelo o que é nosso. Graças a nossa força e união aprendemos conquistar nossos direitos, a duras penas, com o mínimo de escuta em espaços de poder. Não aceitamos dar nem um passo atrás.  Sabemos que a democracia real será efetiva apenas com a ampliação de direitos e conquistas de nosso povo empobrecido, excluído, da classe trabalhadora a partir da esquerda e de baixo para cima. Não conquistamos tudo que desejamos, mas temos direitos e não admitimos retrocesso.

Queremos o respeito aos 54 milhões de votos depositados nas urnas, e exigimos a manutenção do Estado Democrático de Direito. Faremos das ruas um espaço de diálogo, debate e fazer político. Nossos direitos estão sendo violentamente retirados, estamos vendo nossos sonhos de uma possível educação pública, gratuita e emancipadora, do acesso à cultura, aos direitos e à liberdade ameaçados. Queremos nossa liberdade de expressão, seja ela ideológica, política ou religiosa, o avanço das políticas públicas, dos direitos civis e sociais.

Não fazemos parte de quem vai às ruas com a camisa da seleção e a bandeira do Brasil, com discursos nazifascistas, argumentando o justo “combate à corrupção”, mas motivados por interesses privados. Repudiamos quem defende a quebra da legalidade e os fortes ataques a população pobre para beneficiar a burguesia usurpadora, em troca da destruição do Estado Democrático de Direito.
Não à FIESP (Federação das Industrias de São Paulo) não à defesa apenas do mercado; não a privatização, e precarização do trabalho. Não à parcialidade de um segmento do judiciário, que juntamente com a polícia federal fazem agora o papel que em 64 foi dos militares; não à uma grande parcela do legislativo que não nos representa. Pois estão na defesa de um golpe.

Essa mesma parcela usou o discurso da corrupção para derrubar uma presidenta eleita democraticamente, mas hoje são os mesmos que estão na defesa dos maiores corruptores da história política brasileira. A realidade é uma só, há um conchavo entre os três poderes que juntamente com a mídia coorporativa, está fazendo de tudo para atender aos interesses imperialistas.  E essa parcela é a mesma que em nome do grande capital querem que os trabalhadores paguem sozinhos a crise mundial.

Não estamos a favor de um governo ou partido específico, mas contra o retrocesso à garantia de direitos. Querem nos impor uma agenda que não foi aprovada nas urnas.  Isto é estelionato eleitoral, retrocesso nos direitos, na proteção ambiental, na educação, na ciência, na cultura, ISTO É GOLPE!  
E HOJE A DIREITA GOLPISTA GOVERNA SOB O VULTO DE TEMER E EDUARDO CUNHA.

E para ter um gostinho de como essa direita vai agir, é só observar que mesmo antes da retirada efetiva do governo PT, o golpista Temer nomeou um ministério composto apenas de conservadores e ricos, vindos de famílias que sempre representaram as velhas oligarquias corruptas. Temos um governo que não representa a imensa pluralidade da população brasileira. São 7 ministros investigados na Lava Jato e advogados do corrupto mor, Eduardo Cunha, que encabeçou as seguintes medidas:
-Ministério da Educação um representante de partido que é contra cotas raciais, sociais, contra a destinação dos royalties do pré-sal para a educação e comprometido apenas com o ensino privado.
-Na agricultura, nomeou um ministro que defende trabalho escravo, contra demarcação de terras indígenas e quilombolas.
-O ministro da saúde é bem conhecido na cidade de Maringá por seus desmandos em todas as áreas, financiado por planos de saúde privados, coloca em risco o SUS através de sua asfixia financeira.
-Um governo que determinou a extinção da Controladoria Geral da União, como órgão independente de fiscalização do poder executivo.
-Extinguiu Ministério da Cultura, para por fim a milhares de projetos relacionados à economia criativa, ao resgate social promovido pelos estimuladores da educação e do livre pensar.
-Ao unir o Ministério da Ciência e Tecnologia com o da Comunicação, comprometeu projetos que resultariam em conhecimento, avanços tecnológicos e progresso social e econômico ao Brasil, colocando em risco o desenvolvimento da população brasileira.

E todas essas medidas somam apenas com o começo dos ataques que estão por vir.

Para isso precisamos ter ações unificadas, criar uma imprensa própria, escrever e distribuir panfletos, organizar e sair às ruas para mostrar nossas caras, nossa garra e nossa vontade, além de uma atividade intensa nas redes sociais.
Estamos também propondo a unidade em torno de todas as frentes que estão lutando com o mesmo foco, todos os partidos, movimentos sociais, grupos e organizações políticas de esquerda, ao movimento popular, do campo e da cidade ao movimento dos negros e das mulheres, dos homossexuais, das minorias excluídas e oprimidas.  Toda união se faz necessária neste momento em que a direita acelera seus passos golpistas, o divisionismo somente nos prejudicará pois os ataques estão sendo preparados contra os direitos democráticos e as conquistas de toda a classe trabalhadora.

Sobram razões para clamar a população de Londrina e de todo o Brasil para MOBILIZAR CONTRA O GOLPE DE ESTADO que avança rápido em nosso país. Participe conosco dessa luta, pela liberdade de expressão, pelo reconhecimento e valorização das minorias, pela formulação de propostas e planejamento de ações efetivas, ocupando todos espaços de luta (sindicatos, universidades, locais de trabalho, as ruas e etc.)

EM DEFESA DA DEMOCRACIA. NENHUM DIREITO A MENOS. 

domingo, 22 de maio de 2016


 
O Coletivo Mobiliza Londrina: formado por pessoas independentes, de pauta democratica, antifascista e antigolpista, horizontal e suprapartidário.