Por Professora Carol.
O que pôs fim na ditadura de 1964, será o impulsionador na luta contra o golpe. .
Nos final dos anos 70 a crise no Brasil
instaurou um clima de forte instabilidade. O alto nível das privatizações e as
elevadas taxas de juros trouxeram um contexto de arrocho dos salários e o fim da
ilusão do crescimento verificado durante o Milagre Econômico no Brasil.
Consequentemente a essa situação
econômica surgiu um novo quadro sindicalista que aflorou entre os anos de 1978
e 1980, resultando na criação da CUT, da confederação dos trabalhadores (CGT),
além de construir as bases do Partido dos trabalhadores (PT).
No Brasil, em que não havia greves consideráveis desde
1968, quando o regime militar mostrou sua face mais agressiva, vai haver uma
reação das direções sindicais e o movimento grevista
inicia-se com a greve nas fábricas de caminhões da Saab-Scania no ABC paulista.
Cerca de 2 mil metalúrgicos pararam pela reivindicação de 20% de aumento
salarial. Nesse mesmo momento uma onda grevista surgiu em outras cidades
paulistas e se alastrou para os vários setores de ponta, nas empresas
como a Ford, Mercedes-Benz e Volkswagen.
Ganhando cada vez mais força, o movimento grevista se
alastrou para outros setores de trabalho como professores,
bancários, funcionários públicos em geral, jornalistas, operários da construção
civil, lixeiros, médicos entre outras categorias que se uniram para lutar
contra a crise instaurada no país.
No ano de 1980, uma das maiores greves
ocorreu em São Bernardo do Campo, durando 41 dias e mobilizou mais de 300mil metalúrgicos. 1984, de acordo
com os dados do DIEESE, foi o ano recordista em sua série histórica, tendo
registrado, de acordo estudos desse órgão, 2050 greves, frente ao ano anterior
que registrara 877. Este número de movimentos paredistas ocorridos ainda na
ditadura militar supera, inclusive, o forte momento histórico de 1989, quando
foram registradas 1962 greves.
Com as
greves dos anos 80, as burocracias sindicais paralisadas há muito tempo tiveram
um grande impulso e dali surgiram novas lideranças que não queriam apenas ficar
nas negociações e mesas de reuniões com o Estado. Essa ascensão teve a
solidariedade de toda a população, que via de maneira positiva as mobilizações.
Outro
ponto ultra importante e característico dos movimentos foi a organização
financeira dos grevistas que conseguiam, de forma independente, arrecadar
recursos e alimentos para os fundos de greve.
Qual o significa das greves na luta
contra o golpe?
As greves
acarretaram no enfraquecimento ainda maior do regime militar e o surgimento de
um polo aglutinador das forças de esquerda, fragmentadas durante a ditadura, em
torno da CUT e do PT, que se tornariam elementos de organização extremamente
influentes nas três décadas posteriores. Esse movimento fez instituir, por
exemplo, o direito de greve, em 1989, uma grande conquista da classe
trabalhadora.
Mesmo enfraquecidos, os governos do final da ditadura tentaram de várias
formas reprimir todo e qualquer movimento de luta, com prisões, torturas e
mortes, assim como intervenções diretas nos sindicatos mais ativos. Porém
a greve é a defesa do trabalhador para o atendimento de suas reivindicações e é
nessa luta que se discutem, principalmente, as pautas de lutas políticas contra
a estrutura da sociedade.
Quando os operários levantam unidos suas
reivindicações e se negam a submeter-se a quem controla os meios de produção, eles
avançam em sua posição e passam a exigir que seu trabalho não sirva somente
para enriquecer um punhado de
parasitas, mas que permita-lhes viver como pessoas com direitos à vida plena.
A história mostra que somente a luta da classe
trabalhadora organizada, nas ruas, pode derrotar a investida da direita contra suas
conquistas. A Greve Geral, como uma proposta real e unificada, neste momento é
o chamado para preparar os trabalhadores e barrar de vez o golpe.








