
Por prof. Carol.
O movimento golpista está claramente em curso no Brasil. Não pode haver mais dúvidas. O próprio Partido dos Trabalhadores que, apesar de propagandear a luta contra o golpe, permitiu que ele avançasse com todas as forças. Por incrível que possa parecer, ainda há uma parcela considerável dentro do partido e em parte da esquerda que aposta suas forças no acordo com a direita, acreditam também na democracia burguesa e, pior ainda, botam fé nas eleições.
Ao mesmo tempo não
podemos desconsiderar que a luta contra o golpe está avançando, sim! Porém, de
maneira muito tímida em relação às forças da direita imperialista.
As evidências ficam
ainda mais assustadoras quando começamos a ouvir a ala da direita nacional
utilizar o discurso a favor do governo do PT e contra as medidas da
extrema-direita. Kátia Abreu, a musa do latifúndio, no dia 05/07 fez um amplo
discurso no julgamento do impeachment da presidenta, dizendo que tudo o que
estamos passando no Brasil agora não passa de uma farsa. “Nós estamos vivendo
aqui uma farsa. O inadmissível. E não vejo ninguém dizer da corrupção no
governo da Dilma: foi ela sozinha ou foram todos os partidos que mamaram,
sugaram esse governo durante cinco anos e agora estão do outro lado da mesa
pedindo o impeachment da própria?”
Assim também como o
professor Leandro Karnal, um conservador de direita, que se posicionou contra
as medidas do Projeto de Lei Escola Sem Partido, dizendo que tais medidas são
ultrajantes e representam a nova onda dos processos de ditadura. Trata-se de
uma ala da direita nacional que pode estar mais avançada para entender os
planos da extrema direita imperialista do que certas alas da própria esquerda.
A direita representada
pela burguesia nacional sabe muito bem o risco de se apoiar em políticas que
não vão dar conta de segurar a crise no país, que um novo período de recessão
está por vir. Sabe também, que, diante disso, a direita imperialista vai
utilizar de sua política de terra arrasada para conseguir o que quer e, assim,
poderá provocar uma grande reação da classe trabalhadora.
Neste ano teremos o
processo eleitoral municipal. Nele, como sempre, o poder econômico prevalecerá
sobre a vontade popular. E no momento de crise e de avanço da direita contra
todas as expressões e organizações da classe trabalhadora, qual a ilusão que os
partidos de esquerda podem nutrir no seu eleitorado? Difícil decifrar, porém
uma coisa é certa, se a esquerda eleitoreira não abraçar de vez a direita, não terá
chances nenhuma de ocupar as cadeiras eletivas. Depois do processo de
impeachment (golpe) da presidente Dilma, alguém ainda tem dúvidas de qual lado
está a Justiça que controla o processo eleitoral no Brasil? Essa política
centrista, em favor da conciliação de classes, promovida pelos partidos de
esquerda, explodiu. Só não vê os que estão cegos após tantos anos de
oportunismo.
O processo eleitoral burguês
deve ser apenas uma plataforma de agitação e propaganda, mesmo elegendo
parlamentares. Não deve haver nenhuma esperança em se fazer mudanças por
dentro, isso seria uma traição absurda aos interesses dos trabalhadores.
O que essa esquerda
eleitoreira deposita hoje é apenas a evidência de que estão totalmente
distantes da classe operária que deveria estar financiando seus partidos de
forma independente.
Os partidos e
movimentos de esquerda que oportunamente viveram o período de refluxo da classe
operária, totalmente paralisados, mantém sua crença nas eleições controladas
pela burguesia porque já não sabem e/ou conseguem mais agir com os instrumentos
de luta dos trabalhadores que são as mobilizações, as greves, a luta nas ruas, junto
à classe operária e de forma independente. Nenhuma crença deve existir nas
eleições burguesas, muito menos em acordos com a direita nacional centrista. A
crise é do sistema capitalista e o golpe de Estado que vivemos é para salvar a
pele dos parasitas capitalistas, contra o povo. Somente o povo nas ruas vai
criar uma luta real e combativa contra ele.
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